Praticado em todo o Brasil, desde a década de vinte, de forma amadora, o futebol de mesa era praticado por uma grande parte da população. O que no início era apenas um jogo ou uma brincadeira de criança disputada entre amigos ou em família, se tornou esporte de competição, com a realização de vários campeonatos estaduais e nacionais.
Explicar como e onde começou o futebol de mesa ou de botão não é uma tarefa muito simples. Isso porque não existem documentos que possam comprovar quando exatamente foi criado. Os primeiros registros foram feitos pelo paulista Geraldo Cardoso Decourt na década de 20, que escreveu também a primeira regra disputada em todo país, por isso é considerado o “papa do botonismo”.
A essência do esporte está no nome: futebol de botão. No país do futebol e também da criatividade apurada, a idéia de fazer um jogo semelhante ao futebol em que qualquer criança pudesse brincar foi a grande semente. Anteriormente foi denominado por Geraldo Decourt em 1930 de “Celotex”, o nome foi uma referência ao material utilizado na época para confecção das mesas de jogo, que era importado de Chicago, nos Estados Unidos de uma empresa chamada Celotex Company.
Jogava-se inicialmente nas calçadas que passaram a ser os campos, riscava-se com giz o desenho do campo, porém não deslizavam muito bem e posteriormente passou a se jogar em pisos de cerâmica ou mármore até chegarmos às mesas de jantar, que eram grandes e não precisava se jogar agachado no chão.
Os botões utilizados eram de qualquer tipo de roupa, casacos e camisas. Foram as primeiras peças utilizadas para se jogar, por isso o nome de futebol de botão. Botões maiores se transformavam nos “zagueiros” e menores viravam “atacantes”, fazendo uma analogia com o futebol.
Com o tempo os botões foram evoluindo e deixaram de ser apenas botões de roupas e passaram a ser feitos de coco, tampas de relógio, osso, plástico, fichas de pôquer, galalite até chegarmos aos dias de hoje em que são feitos de acrílico ou madrepérola.
Os botões possuem diversas cores, formatos e tamanhos, sempre dentro das medidas mínimas e máximas de cada regra, alcançando um alto grau de requinte e sofisticação, até mesmo com escudos de times famosos embutidos. E também sob medida, dependendo do gosto, técnica e da modalidade de cada botonista. Vale registrar que apesar de toda essa evolução, nunca perderam o nome de botões.
O reconhecimento como modalidade desportiva oficial ocorreu em 29 de Setembro de 1988 pelo então conselheiro-presidente do CND - Conselho Nacional de Desportos, Manoel Gomes Torino, através da resolução nº 14, acatando ao ofício nº 542/88 e ao processo nº 23005.000885/87-18, baseado na lei nº 6251, de oito de outubro de um mil, novecentos e setenta e cinco e no decreto nº 80228, de vinte e cinco de agosto de um mil, novecentos e setenta e sete, sendo atendidos todos os requisitos técnicos para o registro e publicação no Diário Oficial.
Com o reconhecimento do futebol de mesa como esporte, três regras foram oficializadas pela Confederação Brasileira de Futebol de Mesa: um toque, três toques e doze toques. Existe ainda uma regra adotada apenas em caráter experimental que é a modalidade dadinho. Cada uma delas tem suas características próprias e inerentes à sua forma de jogar, mas existem alguns pontos que são comuns a todas, pois são básicos para a sua prática: o campo igualmente desenhado como o de um campo de futebol, traves, 10 botões e 1 goleiro, um tipo de bola que pode ser roliça, achatada ou até um dadinho. O futebol de mesa é um esporte de competição com características especiais que não discrimina ninguém, crianças, adultos e idosos podem praticá-lo e coloca lado a lado pais e filhos.